O JUDEU QUE FALA ÁRABE

Há duas línguas oficiais em Israel – o hebraico e o árabe.  É certo que muitos acharão até um tanto estranha essa informação, mas ela, embora pouco conhecida no Brasil, é um fato e por isso merece atenção e ponderação.  Afinal, o que levou o Estado de Israel a adotar, quando da sua independência, a língua árabe como oficial? Por qual motivo isso foi mantido até hoje?

É provável que a primeira resposta que surja na mente do leitor é a de que o Estado Judeu tem cerca de 20% de seus cidadãos árabes e isso seria uma forma de esses cidadãos plenos de Israel se sentirem mais confortáveis em seu país, onde vivem.  Isso é fato e é um dos motivos do árabe ser língua oficial, mas longe de ser o único.

Um segundo motivo seria uma sinalização, para o mundo árabe, de que o Estado Judeu tem vontade de integrar-se ao Oriente Médio, um oceano onde Israel não é mais do que uma pequena bacia, em termos de tamanho.   Essa questão, também relevante, mas ainda deixa de lado um aspecto muito importante, o dos judeus provenientes dos países árabes.

Em 1900, os judeus representavam 7% da população do Oriente Médio (Israel representa apenas 0,1% de seu território!).  Ao longo do século XX, paralelamente ao que ocorria na Europa, os judeus, assim como os cristãos, também estavam sofrendo perseguições no mundo árabe islâmico.  Essa reação antissemita no Oriente Médio acabou gerando um ataque em massa, em 1948, de diversos Estados Árabes contra o pequeno Estado Judeu, visando “jogar os judeus ao mar” ou em um linguajar menos “politicamente correto”, realizar um novo holocausto.

Os judeus venceram essa luta, apesar da óbvia inferioridade de poderio militar, mas os países árabes em peso expulsaram os judeus de seus lares.  Expulsos, os judeus foram em massa para o único local do Oriente Médio onde podiam ser recebidos e viver.  Desse modo, Israel recebeu, em pouco tempo, centenas de milhares de refugiados judeus, falantes do árabe.

Essa população judaica, que ainda comumente tem o árabe como uma importante língua, em casa, representa, juntamente com os seus descendentes, mais da metade da população judaica de Israel.

Por fim, é a partir desses três principais motivos que podemos ter um bom entendimento do porque a língua árabe é também uma língua oficial de Israel.

 Marcelo Starec

 

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