AS FRONTEIRAS DE 1967(1948)

Nos últimos dias assistimos a celebração do aniversário da Partilha da Palestina, em novembro de 1947, quando foi decidido pela ONU criar o Estado Judeu (que os judeus aceitaram e o denominaram de Estado de Israel).  Houve também ali a criação de mais um estado árabe, com a rejeição unanime, tanto da liderança local quanto de todo o mundo árabe que, sendo bem claro, disse um rotundo NÃO a essa solução, o primeiro de muitos.  Um NÃO que não se limitou ao verbal, mas principalmente na atitude – uma agressão militar, em massa, visando “jogar os judeus ao mar” ou, sendo claro, realizar um imenso genocídio, eliminando a população judaica de toda a região.

É impressionante se ver, na celebração dessa data, vozes que defendem que essa divisão se constituiria em um direito indiscutível e inalienável, podendo ser exercido na hora em que as atuais lideranças locais bem entenderem e sem qualquer tipo de obrigação.  A verdade é que não é aceitável se tratar a questão desse modo, eis que qualquer direito prescreve com o tempo e mais – a resposta negativa, aliada ao ataque militar em massa contra o Estado Judeu foi uma decisão da parte interessada.  Muito tempo se passou e muita coisa aconteceu desde então.  Setenta anos depois, não há porque simplesmente voltar para aquela proposta, mas analisar, a partir da realidade atual e dos óbvios riscos para a segurança de Israel, o que pode hoje vir a ser negociado.

Por fim, cabe ainda lembrar que a construção de um estado viável não se faz da noite para o dia.  A partir dos Acordos de Oslo (que continuam em vigor), nota-se claramente que, desde o início da década de 90 e até a presente data, quase tudo o que as lideranças árabes palestinas demonstraram foi o total desinteresse em construir uma sociedade viável e pautada em promover o bem estar.  Ao contrário, tudo aquilo que tiveram acesso foi quase sempre usado para prosseguir no objetivo final de destruir o Estado Judeu.  Sim, destruir e não o que era esperado, construir algo positivo, que levasse naturalmente à paz e a convivência pacífica, lado a lado.  Assim, é importante que toda essa discussão sobre as possibilidades futuras sejam feitas com muita seriedade, onde o que tem que ser cobrado, notadamente de quem quer receber direitos, é uma clara demonstração de que está realmente disposto a construir algo e não simplesmente gerar mais problemas, destruição e desgraça.

                                                               Marcelo Starec.  

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