POR QUE O DÓLAR ESTA SUBINDO TANTO?

“A escalada da moeda americana é global e está diretamente ligada à melhora da economia dos Estados Unidos”, explica Maurício Molon, economista-chefe do Santander. “A diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos está muito menor do que tínhamos no passado, o que aumenta o impacto das decisões monetárias sobre o câmbio por aqui”, completa. Mas como exatamente a melhora da economia dos EUA impacta o dólar?

O banco central americano manteve durante um bom tempo a taxa básica de juros do país em seu menor patamar histórico, uma faixa entre 0% e 0,25% ao ano, desde a crise de 2008. A medida foi adotada para estancar a contração da economia dos EUA na época. Ao cortar os juros, o Fed deixou o crédito mais barato e estimulou o consumo, que responde por mais de dois terços da atividade econômica americana.

Com estímulos do governo, a economia dos EUA lentamente foi se recuperando até que, em dezembro de 2015, o Fed (BC americano) promoveu a primeira alta do juro básico na maior economia do mundo em quase uma década. A taxa, então, passou de uma faixa próxima a zero para o patamar entre 0,25% a 0,50% ao ano, até subir para 0,50% a 0,75% ao ano em dezembro de 2016. No ano passado, o BC dos EUA elevou a taxa de juros mais três vezes. E, em março de 2018, ela passou para o atual nível de 1,50% a 1,75% ao ano.

Com a alta dos juros nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries, títulos públicos do governo americano cuja remuneração está ligada à taxa de juros do país, também aumentaram. Isso faz com que grandes investidores internacionais retirem o dinheiro aplicado até então em economias emergentes, como o Brasil, e levem os recursos de volta para os Treasuries americanos, que são considerados de baixíssimo risco. E, com menos dólar no mercado, a cotação tende a subir.

“O mercado está inquieto com a mudança dos juros nos EUA e, por isso, a cotação do dólar tem subido no mundo inteiro, especialmente no Brasil. Essa inquietude tende a perder força nas próximas semanas. Não há uma justificativa para o pânico, já que ainda temos um fluxo cambial positivo. Em abril, por exemplo, houve uma entrada maior de dólares no país do que uma saída”, afirma Molon, do Santander.

“A próxima reunião do Fed será no mês que vem. Os economistas divergem sobre a quantidade de vezes que o BC americano vai aumentar os juros nos EUA este ano. Alguns dizem que serão três vezes e outros, quatro. Mais importante do que a decisão do Fed em junho será o comunicado de sua decisão, que dará pistas sobre o futuro da taxa. Isso pode acalmar o mercado cambial, ou não”, diz o economista.

Tensão geopolítica no Oriente Médio e alta no rendimento dos títulos do tesouro americano, conhecidos como Treasuries, levaram o dólar a se aproximar de R$3,70 nesta terça-feira, engatando a terceira alta consecutiva no mercado futuro. O temor de que um câmbio cada vez mais próximo dos R$4 por dólar faça ressurgir pressões inflacionárias não vistas há anos ou enfraquecer a posição financeira das companhias brasileira é uma preocupação do investidor nos últimos dias. Economistas esperam que esses elementos estejam no radar dos diretores do Banco Central, que decidirão o novo patamar da taxa de juros básica Selic hoje.
— O mercado está dividido em relação à decisão e os contratos de juros futuros, que oscilaram fortemente ao longo do pregão de ontem, refletem esse dilema: cortar ou não cortar a Selic? Até um par de dias atrás, o corte de 0,25 ponto percentual para 6,25% estava sacramentado. Hoje não mais. A cotação do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2019 – que sinaliza a expectativa de onde estará a Selic no final do ano – indica, a 6,35%, que o mercado está dividido.fontes:exame.com.br e Tradersclub

USD/BRL          3,65632

Bons Negócios  !!

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