SETENTA POR CENTO DA ENERGIA DO NORDESTE JÁ VEM DO VENTO

SANTA LUZIA, Brasil – Longe da imagem de um Brasil violento e inseguro, Luis Cardoso, conhecido na região como “Piuga”, cumprimenta com um sorriso qualquer estranho que se aproxime de sua casa e sempre oferecerá a pessoa um guarda-sol e cadeira no terraço .

O agricultor de 73 anos, que mora em Santa Luzia, cidade do estado da Paraíba, no nordeste do estado, diz a todos os interessados ​​que ele deixou de cultivar algodão para vender ventos.

Piuga cultivava algodão, milho e feijão em um estado devastado por secas intensas que puniam e impediam a produção agrícola, mas descobriu-se que ele tinha um ás na manga – o vento.

Ventos fortes e constantes no nordeste do Brasil favorecem o desenvolvimento de projetos de energia eólica, e as principais indústrias são atraídas pela fonte de geração de energia que existe lá.

A Iberdrola, por exemplo, através de sua afiliada brasileira Neoenergia, decidiu construir um parque eólico na Paraíba e se interessou pelas terras trabalhadas por Piuga.

O agricultor conta como no ano de 2010 alguns “estranhos” apareceram em sua casa e disseram que queriam comprar vento, e que estavam interessados ​​em colocar três turbinas eólicas em suas terras como parte do complexo energético de Santa Luzia.

Assim que ouviu a proposta, Piuga “deu sua palavra” e fechou o contrato – ele ia arrendar sua propriedade para a companhia de energia.

“Eu nunca ouvi dizer que você pode vender vento”, disse Piuga. “Eu ainda estou espantado.”

Para a construção do complexo energético formado pelos três parques eólicos atualmente em operação na área, a Neoenergia arrendou terras de 23 famílias, sendo uma delas a de Piuga.

“Minha esposa disse que íamos perder o pouco que tínhamos, mas eu já havia dado minha palavra, então não pude recuar”, disse o agricultor. “Ninguém queria essas terras, elas eram inúteis, mas agora há vento e eu posso alugá-las.”

Em 2020, a parte da usina em torno da propriedade de Piuga será expandida com mais 15 parques eólicos, de modo que o complexo de energia alternativa será composto de 18 parques eólicos e será o maior da América Latina.

Cerca de 14% da energia gerada no Brasil, segundo um relatório da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEolica), vem do vento.

Na região nordeste, a energia eólica representa 70% do fornecimento de energia e é a razão pela qual a área está se tornando mais atraente para o investimento.

Em menos de uma década, o Brasil passou de um país nulo em energia eólica para se tornar o 10º maior produtor do mundo – e, no centro desta mudança, a região Nordeste é protagonista.

Até 2006, a geração de eletricidade a partir do vento era inexpressiva no Brasil. Isso havia começado a mudar antes, em 2002, com o lançamento de um programa de incentivo a fontes de energia renovável pelo governo federal.

E ganhou força a partir de 2009, quando passaram a ocorrer leilões para a criação de usinas e a contratação do fornecimento desse tipo de energia, como o que foi realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira (saiba mais no quadro ao lado).

Mas a geração de energia eólica é alvo de críticos que veem prejuízos ambientais e privatização de áreas comunitárias para a criação dos parques. Além disso, ainda há dificuldades na transmissão energética.

Há hoje no país 322 usinas, com capacidade de produção de 8,12 gigawatts, o equivalente à usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a segunda maior em operação no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Essa fonte de energia responde atualmente por 5,8% da matriz nacional e abastece 6 milhões de residências.

De acordo com o Conselho Global de Energia Eólica, o Brasil tem a 10ª maior capacidade de geração do mundo e, em 2014, foi o quarto que mais ampliou esse potencial, atrás de China, Alemanha e Estados Unidos.

Essa transformação fez do Nordeste o polo da energia eólica no Brasil: a região responde por 75% da capacidade de produção nacional (o restante se concentra no Sul do país) e 85% da energia gerada de fato no país por essa fonte. Dos cinco maiores Estados produtores, quatro são da região: Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Piauí – o Rio Grande do Sul completa a lista.fontes:http://www.laht.com/article.asp?ArticleId=2470862&CategoryId=14090&utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+laht%2Fmailer+%28Latin+American+Herald+Tribune%29 https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151110_energia_eolica_nordeste_rb

Bons Negócios  !!

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