AS 6 DO DIA 29/01

1- Mais um dia de luto no país. Três dias depois de uma barragem de rejeitos de uma mina da Vale em Minas Gerais desabar e matar pelo menos umas 60 pessoas e deixar quase 300 desparecidas, o investidor acelerou as vendas da ação da mineradora – movido pelo pânico de multas bilionárias e o impacto reputacional e regulatório de mais um inadmissível acidente de exploração de minério. Principal responsável pela perda de mais de 2.200 pontos do Ibovespa hoje, a ação ON da Vale despencou 24,52% no primeiro pregão após a tragédia. No fechamento, o giro do papel atingiu R$8,105 bilhões, cerca de 8 vezes a média dos últimos meses. O papel da Bradespar, empresa do Bradesco que tem como maior participação a Vale, também desabou com o desastre – quiçá o pior da indústria da mineração no mundo.

2- Independentemente do impacto sobre as operações da mineradora, o lastro de imagem é irreversível para muitos analistas e gestores: é a segunda vez em três anos que acontece um acidente com barragens em projetos da Vale. O primeiro, em Mariana, também Minas Gerais, deixou menos mortos, mas devastou centenas de quilômetros de áreas inteiras – ainda é considerado o pior da história do Brasil. As vendas fortes do papel, em especial executados por grandes corretoras estrangeiras, mostram que o investidor tentou procurar saída rápida do papel, em vez de se proteger; quem estava posicionado para uma queda violenta no papel lucrou muito: a opção de venda do papel com exercício nos R$43,60 chegou a ter retorno de 28.000% hoje. Por quê? Deve ser porque o investidor espera que o papel não se recupere rápido das implicações da tragédia: mais investimentos, mais dívida, mais imbróglios judiciais, menos dividendos, falta de clareza sobre o destino da diretoria. Analistas de mais de seis bancos alertaram sobre os riscos de operar a ação da Vale, embora o impacto financeiro e operacional do acidente pareça não exceder o do desastre anterior, em Mariana.

3- Infelizmente, o investidor vai ter pouco alívio nos próximos dias. É mais provável que a agenda de divulgações e eventos dos próximos dias impulsione a volatilidade, em vez de mitiga-la. Amanhã podemos ter o voto no Parlamento britânico sobre as emendas do acordo do Brexit, o que deve manter os mercados europeus sobre forte pressão baixista. Na quarta teremos a decisão de juros do Federal Reserve e o começo de dois dias de reuniões bilaterais de comércio entre os Estados Unidos e a China. “A semana promete,” diz o trader da mesa proprietária de um grande banco internacional sediado em São Paulo. Entre os indicadores de amanhã teremos a divulgação dos números de crédito bancário no país; a teleconferência de resultados da Cielo, que solta nesta noite seu balanço do quarto trimestre – o cenário é pouco promissor em termos de rentabilidade e desempenho.

4- Os engenheiros que confirmaram a segurança da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho, são alvos de dois mandados de prisão na manhã desta terça-feira, 29, a pedido da Justiça Estadual de Minas Gerais. Segundo o G1, uma das prisões ocorreu no bairro de Moema e outro na Vila Mariana, Zona Sul da cidade. As ordens de prisão foram expedidas no domingo. Investigadores apuram se documentos, feitos por empresas contratadas pela Vale e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, foram, de alguma maneira, fraudados .

5- Instituições financeiras, consultadas pelo Banco Central (BC), reduziram a projeção para o crescimento da economia, neste ano e em 2020. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – foi ajustada de 2,53% para 2,50%, em 2019. Para o próximo ano, a expectativa caiu de 2,60% para 2,50%. A inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 4% este ano. Na semana passada, a projeção era de 4,01%. A estimativa segue abaixo da meta de inflação, de 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%, este ano.

6- As ações europeias ficaram um pouco mais altas na terça-feira, com os investidores acorrendo a ações consideradas seguras em tempos de incerteza econômica após uma série de alertas de lucro das empresas norte-americanas e em meio a preocupações contínuas sobre atritos comerciais. Os investidores evitam os estoques expostos às fricções comerciais entre os EUA e a China, e a SAP, a empresa de tecnologia mais valiosa da Europa, ficou sob pressão após seus resultados. A notícia de que os EUA arrasaram as acusações criminais contra a gigante de telecomunicações Huawei, da Huawei, poucos dias antes da próxima rodada de negociações entre Washington e Pequim, para tentar resolver a disputa comercial prolongada, também contribuiu para o humor moderado. Mercados chineses fecharam em baixa e futuros americanos apontam para uma abertura em queda em Wall Street.

Bons Negócios !!_________________Yochanan Pinchas

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