AS 6 DO DIA 30/01

1- O pânico deu lugar à especulação e o investidor ensaiou comprar a ação da Vale após o tombo de 24% na véspera, que corroeu mais de R$70 bilhões do valor de mercado da mineradora. O papel subiu 0,85% e fechou cotado a R$42,74. Diferentemente de muitos bancos estrangeiros, que rebaixaram a recomendação à ação da Vale, citando uma montanha de incertezas regulatórias, financeiras e legais em decorrência do desastre da mina em Brumadinho, Minas Gerais, os analistas sediados no Brasil continuam, praticamente todos, confiantes em que as ações da companhia vão recuperar parte das perdas. Algumas cortaram seu preço-alvo, mas se mantêm otimistas com a tese de investimento e as perspectivas para a mineradora. Para completar, a manifestação do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, negando ingerência do governo no comando da mineradora afasta preocupações de intervenção estatal.

2- Essa confiança renovada deu um gás no índice Ibovespa, que avançou 0,20% hoje, apesar da cautela no cenário internacional. A alta das commodities, em especial do petróleo, induziu as ações da Petrobras, que subiram 2,42%, mas a queda de papéis de bancos evitou uma subida mais forte da bolsa. O giro do Ibovespa atingiu R$14,3 bilhões – indicando que os volumes estão começando a se normalizar após a volta das férias de final de ano. Também parece que o Ibovespa, no curto prazo, está testando um suporte ao redor dos 96 mil pontos – mesmo com um exterior volátil e a poucos dias de se iniciar a dura jornada de aprovação da reforma da Previdência no Congresso. Enquanto isso, o fluxo do investidor estrangeiro segue aumentando na B3. Com o ingresso de R$1,1 bilhão em 24 de janeiro, o saldo positivo em 2019 chegou a R$3,3 bilhões.

3- 2 milhões de metros cúbicos de terra rejeitada cobriram um refeitório com dezenas de funcionários almoçando, uma pousada, vários veículos e dezenas de casas e chácaras em Brumadinho. A tragédia causada pelo rompimento de barragem na Vale marcará por anos essa cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Onde havia vales e vegetação, hoje só se vê destruição. Em pronunciamento feito na terça-feira, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que não haverá intervenção do governo brasileiro no comando da Vale. A intervenção havia sido cogitada pelo presidente em exercício, general Hamilton Mourão. Também hoje, funcionários da Vale e engenheiros que atestaram o uso da barragem em MG foram presos. Na decisão em que determinou a prisão, a juíza Perla Saliba Brito declarou que o desastre poderia ter sido evitado. Já a Vale abriu uma sindicância interna para apurar as causas do desastre em Brumadinho. “A Vale é a maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento”, afirmou Alexandre de Ambrósio, diretor Jurídico da empresa.

4- O Brasil é um país com 24 mil barragens registradas, que servem a diferentes propósitos. Desse total, 790 aparatos são de contenção de rejeitos de mineração, assim como a da mineradora Vale que rompeu em Brumadinho (MG) na última sexta-feira (25), deixando até o momento 84 mortos e 205 desaparecidos. Ao analisar somente as barragens de rejeitos, é possível dizer que 204 têm potencialidade de dano alto, seja ao meio ambiente ou para pessoas, caso haja algum acidente. Só a Vale tem 55 barragens com elevado potencial de promover tragédias. E além dos mortos e desaparecidos, a lama escancara outros sofrimentos, como o dos bombeiros de MG que, além das situações extremas de trabalho nos últimos dias, estão com salário parcelado e ainda não receberam o 13º salário de 2018; e o dos funcionários que sabiam das rachaduras da barragem, mas que, por necessidade do trabalho, continuaram o ambiente de trabalho em risco.

5- Após reunião com os ministros de Minas e energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardos Salles, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou hoje (29) que a empresa vai acabar com dez barragens, como a que se rompeu em Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte (MG). Segundo ele, essas barragens serão descomissionadas. “É a resposta cabal e à altura da enorme tragédia que tivemos em Brumadinho. Este plano foi produzido três a quatro dias após o acidente”, ressaltou o executivo. Schvartsman afirmou que descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à natureza. “A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem. Tomamos com a decisão de acabar com todas as barragens a montante”, disse o executivo em Brasília.

6- Preocupações com a desaceleração econômica na China levaram a algumas turbulências em Wall Street neste ano. Mas a Boeing, gigante do setor aeroespacial e de defesa, não teve problemas em navegar pelos céus agitados até agora em 2019. As ações da Boeing (BA) subiram quase 13% no acumulado do ano. Isso faz com que seja o terceiro melhor desempenho na Dow, atrás apenas da Goldman Sachs (GS) e da IBM (IBM).
Mas será que a Boeing ainda estará bem depois de reportar os resultados do quarto trimestre na manhã de quarta-feira? Muitos em Wall Street estão otimistas, apesar das preocupações da China.
Os analistas estão prevendo um salto de quase 50% nos lucros do trimestre em relação ao ano passado. E há uma chance de que a receita anual da Boeing possa quebrar o nível de US $ 100 bilhões pela primeira vez na história. A previsão de consenso de Wall Street é de vendas de US $ 99,7 bilhões.
A Boeing, que disse em novembro que entregou seu segundo milésimo avião a uma companhia aérea chinesa, claramente tem algo a perder se a economia da China desacelerar ainda mais ou se as tensões comerciais com os Estados Unidos se intensificarem.

Bons Negócios !!____________________Yochanan Pinchas



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