ANALISTA ACREDITA NA QUEDA DO DÓLAR

Não é novidade para ninguém, pelo menos não deveria ser, que o Brasil não tem problemas na questão cambial, pois possuindo reservas cambiais consistentes, déficit em transações correntes confortável e o BC tendo instrumentos adequados para suprir demandas no mercado à vista, caso o fluxo cambial persista fragilizado, pode ser considerado bem defendido neste quesito.

O Brasil tem um problema central da mais alta relevância que é a questão fiscal, mas neutralizada a “parte folclórica que provoca ruídos”, o que se percebe é que o governo adotou no tempo adequado a propositura da Reforma da Previdência, considerada fundamental para a equalização do grave e neutralizante problema e agora a matéria está acometida ao Congresso Nacional, que deve submetê-la a todo o trâmite circundado por forte embate e debate corporativista e ideológico que já se faz insinuante ante mesmo das discussões efetivas.

Há otimismo em torno da questão, embora atenuado na sua exacerbação passada, mas sensato visto que o cenário prospectivo, na realidade, permanece binário e há a convicção de que a trajetória da tramitação será longa, muito mais do que o desejado, com finalização provável para o 3º trimestre do ano.

Este fato inquieta tanto quanto a aparente falta de boa articulação política por parte do governo, mas a realidade é que há absoluta necessidade de que se avance positivamente nesta questão, mesmo que ocorra relativa desidratação, sem o que o governo não conseguirá implantar seus planos de governo e reconduzir a atividade econômica aos parâmetros desejáveis e colher os benefícios consequentes.

Como temos salientado constantemente a mixagem de inúmeros eventos e acontecimentos envolvendo o governo num verdadeiro bombardeio focando desacreditá-lo ou perturbá-lo em nada contribui para a evolução ordenada das discussões em torno da Reforma, que deve ser o foco central, e acaba por inibir a percepção de que o necessário está sendo feito e no tempo certo.

Isto fomenta e viabiliza um embate ferrenho que fustiga o otimismo e dá margem a que oportunisticamente se desenvolvam movimentos especulativos, e o dólar é o termômetro mais fácil para repercutir e criar factoides e interpretações calcadas em ilações insustentáveis, e isto já se tornaram contumaz, como contumaz é a fragilidade dos fundamentos plantados e que acabam por não se sustentar.

Convivemos nestes últimos dias com o mesmo contexto, embora com enredo de fundamentação diferenciada, com movimento especulativo sugerindo alta exponencial do preço da moeda americana frente ao real e é curioso que ainda que parcialmente consigam perturbar o ambiente sem, contudo alcançar sustentabilidade.

Como são factoides e não fundamentos não tem sustentabilidade, por mais que se busque até no exterior razões e motivos para dar suporte ao movimento agregando-os aos destemperos em relação ao “status quo” interno.

Então, a “tendência” logo se fragiliza por não ser efetiva tendência e o preço da moeda americana recrudesce e retorna ao seu preço tecnicamente considerado de equilíbrio para o momento atual, ou seja, R$ 3,75.

Vamos assistir esta trajetória muito breve.

O câmbio hoje no Brasil não tem a fragilidade de tempos atrás, o contexto é outro, temos muitas fragilidades, mas diferentemente do passado neste momento não é o câmbio.

Evidentemente, o tempo maior que será necessário para a definição dos termos da Reforma da Previdência provoca consequências como a revisão do crescimento do PIB para este ano, agora a FGV prevê 2,10%, e na medida em que retarda a possibilidade de retomada da atividade econômica posterga a dinamização da recuperação do emprego, renda, consumo, etc….

Por outro lado, inibe os fluxos de investidores estrangeiros no nosso mercado financeiro, fator primordial para a Bovespa ganhar força para atingir e superar os 100 mil pontos.

Afastando os ruídos nefastos e centrando as atenções no que realmente interessa, não há motivação para o preço de a moeda americana afastar-se do eixo do preço de R$ 3,75, aonde deve permanecer com pequenos movimentos voláteis até maio, e, não se espera também algo diferente para a Bovespa, que deve se manter nas proximidades dos 100 mil pontos sem rompê-lo até que os investidores estrangeiros cheguem.

Como todos sabem, o preço do dólar no nosso mercado é fundamentalmente construído no mercado de dólar futuro, que é o centro da especulação, e não no mercado à vista. Fonte: https://moneytimes.com.br/sidnei-nehme-vies-de-baixa-reconduzira-dolar-a-r-375-logo/

Bons Negócios !!

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