AS 6 DO DIA 17/05

“Dinheiro não traz felicidade – pra quem não sabe o que fazer com ele”
– Machado de Assis

Bonus: Os mercados asiáticos terminaram misturados a partir dos preços de fechamento mais recentes. O Nikkei 225 ganhou 0,89%, enquanto o Shanghai Composite liderou o Hang Seng mais baixo. Eles caíram 2,48% e 1,16%, respectivamente. As bolsas europeias operam no vermelho(Realização de lucro?) e os futuros americanos operam na mesma direção. Lembramos que ontem as bolsas ocidentais começaram em queda e fecharam em alta , mas vale lembrar que hoje é sexta feira e os operadores querem colocar um dinheirinho no bolso para a cerveja do fim de semana.

1-  A Vale (SA:VALE3) informou nesta quinta-feira que identificou movimentação no talude Norte, na cava da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), mas ressaltou que não há elementos técnicos até o momento para se afirmar que o eventual escorregamento possa ter como consequência o rompimento da barragem Sul Superior, nas proximidades. A afirmação foi feita após nota do Ministério Público de Minas Gerais que indicou, citando documento da própria Vale, que haveria risco de ruptura na cava, entre 19 e 25 de maio, e que o movimento poderia provocar a ruptura da barragem. Após a nota do MP, as ações da Vale passaram a cair na B3, com os papéis fechando em baixa de 3,23 por cento. “Cabe ressaltar que não há elementos técnicos até o momento para se afirmar que o eventual escorregamento do talude… desencadeará gatilho para a ruptura da Barragem Sul Superior”, esclareceu a empresa em comunicado. Mesmo assim, a Vale disse que “está reforçando o nível de alerta e prontidão para o caso extremo de rompimento”. Um alerta de desnível na barragem Sul Superior havia levado a retirada dos moradores da região poucos dias após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, que provocou uma grande revisão de segurança nas estruturas de mineração no Estado. O desastre de Brumadinho, com mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, atingiu comunidades, mata, rios e instalações da própria Vale, resultando na morte de 240 pessoas e deixando ainda 30 desaparecidos.

2- Deterioração política, atividade econômica enfraquecida e cautela no cenário internacional continuam a filtrar o olhar dos investidores nas próximas sessões. A bolsa sofreu a sua quinta queda em seis pregões, se desvalorizando em 1,75% a 90.024 pontos, o menor fechamento de 2019, após chegar a descer a 89.778 pontos na mínima do dia – menor nível intra diário desde o primeiro pregão do ano. O mercado parece refém da falta de clareza da qualidade da articulação política entre governo e Congresso. Nesse sentido, havia uma expectativa de que medidas provisórias enviadas à Câmara, como a da reforma administrativa, fossem aprovadas, o que poderia significar um maior alinhamento entre os poderes e um gesto para fortalecer a base em prol da reforma da Previdência – o que não ocorreu. Caso as MPs não sejam votadas em plenário a tempo, os textos podem caducar. Além disso, a ausência de uma definição concreta em torno da disputa comercial entre Estados Unidos e China também têm prejudicado os ativos de países emergentes, como o Brasil. E a discussão só deve ter uma conclusão no possível encontro entre os países na próxima reunião do G20, em junho. Nesta quinta-feira, o índice Bovespa também sentiu o baque da desvalorização de 3,23% das ações da Vale, que informou ao Ministério Público que o talude da mina em Barão dos Cocais pode se romper a partir de domingo, além da volatilidade às vésperas do vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. 

3- Na quinta-feira, o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos, disse que todas as vezes que os deputados se aproximam de uma articulação “o governo faz trapalhada”. Ele, no entanto, afirmou que garante a votação do projeto em julho, “se for resolvido o ambiente político”. Segundo o sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, o mercado tem dificuldade de enxergar por qual caminho a articulação política será feita. Para agravar a situação negativa, os números de atividades divulgados nos últimos dias também não foram favoráveis. O Bank of America divulgou um relatório hoje cortando a projeção de crescimento do PIB e 2019 pela metade, a 1,2%, e disse ver o câmbio ainda mais desvalorizado, com uma taxa Selic reduzida dos atuais 6,5% para 5,50% antes do fim do ano – com a aprovação da reforma da Previdência. A tensão política, aliás, ofuscou as apostas de corte na Selic e os juros futuros subiram em bloco, com o contrato para janeiro de 2020 avançando 2,5 pontos-base para 6,435%.

4- Na contramão, os mercados internacionais finalizaram o dia no positivo, com as bolsas americanas subindo pelo terceiro dia seguido. Os índices Dow Jones e S&P500 avançaram 0,84% e 0,89%, respectivamente, por conta de bons balanços corporativos. Os resultados acima das expectativas de Walmart e Cisco Systems ofuscaram os receios dos investidores – ao menos, por ora – quanto ao futuro da guerra tarifária entre EUA e China. Mas a cautela segue no radar após o decreto americano restringindo as operações de empresas de telecomunicações chinesas no país, o que pode levar a mais uma rodada de retaliações por parte da China – e ao alastramento da guerra comercial pelo mundo inteiro. O investidor ficará ligado nesta sexta aos números do mercado de trabalho do Caged e, lá fora, destaque para índices do nível geral de preços na Alemanha e na Zona do Euro.

5- Warren Buffett revelou quanto vale sua participação na Amazon: mais de US $ 900 milhões. O CEO da Berkshire Hathaway há muito elogiou a Amazon (AMZN) e seu CEO, Jeff Bezos, cujo patrimônio líquido ultrapassou o de Buffett há dois anos, a caminho de reivindicar o título de homem mais rico do mundo.
Buffett disse que admira as habilidades de negócios de Bezos e seu sucesso, criando tanto a empresa varejista on-line quanto seu negócio de computação em nuvem. Ele se uniu à Amazon e ao JPMorgan Chase para trabalhar em uma oferta de seguros para os funcionários das três empresas, que muitos acreditam que poderia reformular o setor de seguros de saúde. Ele até brincou que ele teria uma infusão de sangue de Bezos se pudesse.
E lamentou o fato de que a Berkshire, que é notoriamente lenta em comprar ações de empresas de tecnologia, não tenha lucrado com seu sucesso.
“Nós perdemos completamente, aliás”, disse ele a seus investidores na reunião anual da Berkshire, dois anos atrás, ao detalhar os muitos sucessos de Bezos. “Nós nunca possuímos uma fatia da Amazon.”

6- Espere mais procura por proteção no Brasilonde o investidor não só tem que tomar as dores do conflito comercial EUA-China, mas também sofre com um cenário político local que gravita entre o insólito e o patético. O dólar deve se manter perto dos R$ 4,00, os juros podem continuar embutindo mais prêmio de risco e o Ibovespa deve operar próximo aos 90 mil pontos. O temor que impera nas mesas de negociação é o da piora da desarticulação no governo do presidente Jair Bolsonaro. A percepção é ainda mais nebulosa quando o investidor inclui na equação o noticiário que vincula o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, a indícios de lavagem de dinheiro na compra de imóveis – indícios que não são novidade. Como os protestos de ontem contra o contingenciamento das verbas da educação país afora mostraram, a comunicação do governo se tornou o seu pior inimigo, e, de quebra, o da aprovação do programa da reforma da Previdência: esta última depende do engajamento e da popularidade do presidente para passar.

Bons Negócios !!___________________Yochanan Pinchas


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