ESTRANGEIROS AVISAM: FRACA ATUAÇÃO DO BANCO CENTRAL VAI ACABAR COM O REAL

Por Jamie McGeever

BRASÍLIA (Reuters) – O banco central do Brasil mirou especuladores de moeda na quinta-feira, mas sua primeira intervenção no mercado em quase três meses pareceu relutante e os efeitos podem durar pouco, dada a perspectiva econômica sombria para 2020.

O banco central entrou no mercado de derivativos de moedas, vendendo US $ 1 bilhão em swaps cambiais, à medida que o real oscila para outro recorde de baixa frente ao dólar, ganhando ritmo e ameaçando levar as perdas acumuladas no ano para 10%.

A venda de contratos com vencimento em março, outubro e dezembro provocou uma acentuada reversão do dólar para 4,31 reais, acima de 4,38 reais, embora no fechamento do pregão houvesse se estabelecido em torno de 4,34 reais.

Foi a primeira nova intervenção do banco central no mercado de swaps cambiais em um ano e meio e será repetida na sexta-feira. Em novembro, os formuladores de políticas venderam dólares no mercado à vista para resolver o que eles chamavam de falta de liquidez.

“É interessante que eles tenham intervindo por meio de swaps, que normalmente visam domar a especulação. O mercado estava testando os limites e encontrou um”, disse Drausio Giacomelli, chefe de pesquisa de mercado emergente do Deutsche Bank (DE: DBKGn) em Nova York. .

“Mas a visão subjacente no banco central e no Ministério da Economia é que o real fraco está bom”, disse ele, referindo-se a comentários no final da quarta-feira pelo chefe do banco central Roberto Campos Neto e pelo ministro da Economia Paulo Guedes.

Em entrevista à TV transmitida pela GloboNews pouco antes da meia-noite da quarta-feira, Campos Neto disse várias vezes que a taxa de câmbio é flutuante.

Solicitado a comentar especificamente as observações anteriores de Guedes, que mostraram seu conforto com uma moeda mais fraca, o que poderia incentivar mais vendas no mercado aberto na quinta-feira, Campos Neto repetiu que o real é uma taxa de câmbio flutuante.

A implicação clara era que a preferência do banco central não era intervir no mercado se pudesse ajudá-lo, disseram traders, apesar da pressão para fazê-lo, uma vez que o real caiu para níveis mínimos dia após dia.

Sem surpresa, o golpe duplo de laissez-faire de Campos Neto e Guedes desencadeou outra onda de vendas. O real caiu pela primeira vez em 4,38 por dólar, elevando suas perdas contra o dólar até agora este ano para 9%.

ESTABILIDADE A CURTO PRAZO

Analistas do Citi observaram que a intervenção de novembro no mercado à vista estabilizou a moeda por um mês. Após o movimento de quinta-feira no mercado de swaps cambiais, o real “deve pelo menos estabilizar e possivelmente voltar a cair abaixo das 4,30 novamente no devido tempo”, escreveram em nota de cliente.

Mas se o manual de novembro for um guia, a pausa poderá durar pouco. A recuperação do real de quase 7% nas últimas cinco semanas de 2019 foi rapidamente apagada pela queda de quase 10% nas primeiras seis semanas deste ano.

Um rally sustentado também pode ser improvável se os dados futuros continuarem mostrando o crescimento econômico perdendo força e levando a revisões mais descendentes das previsões para 2020.

Com os sinais econômicos apontando em grande parte em uma direção, os mercados estão mostrando pouco do comércio de motosserra que justificaria uma intervenção mais pesada para suavizar oscilações acentuadas.

A volatilidade do mercado permanece relativamente contida, aumentando nas últimas semanas, mas ainda nem perto dos picos de agosto do ano passado, quando o banco central interveio na venda de reservas em dólar pela primeira vez em mais de uma década.

Mesmo depois disso, as reservas cambiais do Brasil são de US $ 360 bilhões consideráveis, mas há poucos sinais de que os formuladores de políticas desejem explorar esse estoque.

“Ninguém está preocupado com a taxa de câmbio”, disse o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, à Reuters em uma entrevista na quarta-feira, enfatizando que a política cambial é exclusivamente do banco central.

“Seria preocupante se tivéssemos um déficit em conta corrente muito amplo e não pudéssemos financiar, e tivéssemos reservas cambiais muito baixas. Nada disso acontece hoje”, disse ele.

O déficit em conta corrente que se aproxima de 3% do produto interno bruto é adequadamente financiado por investimento direto estrangeiro no valor de mais de 4% do produto interno bruto. Fonte: https: //www.investing.com/news/economy/brazils-reluctant-fx-intervention-may-give-brief-respite-2084943

Bons Negócios !!

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